quinta-feira, 3 de abril de 2014

Liberdade da Treta

Se existe um assunto capaz de gerar as maiores controvérsias entre conhecidos, familiares e amigos, é de certeza a eterna batalha Liberdade vs Determinismo. É, realmente, um interessante (talvez irritante) campo da Filosofia que acaba sempre por culminar numa discussão ridícula na qual ambos os lados já não têm qualquer argumento e decidem, assim, resignar-se a utilizar termos como "Mas isso está mal porque tu és feio" e "Ah, mas quem diz é quem é", entre outros semelhantes.

Tenho a dizer que fui sempre um adepto da livre vontade e de toda a lógica que gira em torno de tal incrível conceito. Considerar que todos os eventos foram, são e serão ditados por algo que já foi predefinido (quando?) é, no mínimo, uma maneira derrotista de olhar para as coisas, e é por isso que vou começar esta sessão de Dizer Mal De Coisas por apresentar o meu argumento máximo contra o Determinismo: se tudo isto é obra do destino, eis as minhas inofensivas e completamente casuais perguntas - O que raio é o destino? Onde é que ele está? É Deus que faz isso? O caraças, ele está demasiado ocupado com coisas muito mais importantes. Se realmente há um "destino" por detrás do universo em que vivemos, quem é que predestinou a sua existência?
Como vêem, estou finalmente a entrar no campo da ponderação inútil que leva muitas vezes a casos de combustão espontânea ou de explosão mental que caracterizam estas discussões. E sim, como já perceberam, considero o Determinismo uma coisa que faz tanto sentido como considerar que o candeeiro que está aqui ao lado possui um sistema de propulsão nuclear. É, sendo assim, um conceito abatatado. O que é interessante, porém, é que a liberdade também é um conceito com as propriedades de uma leguminosa.

A definição de liberdade total (isto é a minha definição, não fui buscar um dicionário. Por quem me tomam, um poeta?) é como segue: "possibilidade individual de realizar qualquer acção a qualquer momento, em qualquer situação". Não fica mais incrivelmente total que isto, pois não? É que isso traz um grande problema. A liberdade, sendo assim, torna-se um conceito da treta, porque não é possível nem para os mais endinheirados Bíl Gâites deste mundo. Por mais que um oligarca da máfia russa queira, o seu Cadillac nunca terá um sistema de propulsão nuclear capaz de viajar até Alfa Centauri em dois segundos, assim como um director de uma grande multinacional nunca poderá desejar caminhar sobre a água enquanto crocodilos cantam o "Stairway to Heaven" a alto e bom som. Isso é estúpido, o que revoga a liberdade total para o campo da estupidez.
Mas então e a "liberdade", a tal condição de semi-limitação e semi-livre-vontade de que tanto falam? Isso não é liberdade nenhuma. Isso é a chamada liberdade da treta, porque (tal como se diz a toda a hora) acaba onde a liberdade dos outros começa. E isso também é estúpido.

Pelo menos teremos sempre a imaginação, onde o meu candeeiro tem um sistema de propulsão nuclear.